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Sergio Saraiva
Nascido em São Paulo em 1959, Sergio Saraiva experimentou três décadas pelas quais ninguém com sensibilidade passou impune: menino na década de 60 — a Tropicália e a Ditadura de 64; adolescente na década de 70 – os anos de chumbo e a efervescência da contracultura e da resistência cultural; e jovem adulto na década de 80 – a década perdida — o amor livre e a AIDS, a redemocratização e a juventude como uma banda numa propaganda de refrigerantes — depois, “cada um foi para seu lado” e Sergio Saraiva foi trabalhar — operário do ABC. O duplo sentido de ABC – a região que é polo industrial de São Paulo e também o termo utilizado para as cartilhas de alfabetização, se aplica à perfeição para Sergio Saraiva. Sergio Saraiva não nasceu para poeta, fez-se poeta lendo “olhos de musas e os lábios de menestréis” — autodidata, leitor assíduo de todos os que cruzaram sua biblioteca — se socorrendo do “auxílio luxuoso” da poesia — e misturando todas as influências da sua formação em sua prosa poética — não fora isso, lhe restaria tornar-se um gerente de produção; tornou-se poeta acidental. E assim foi que o operário e o poeta — entre greves e planos mestre de produção — foi acumulando poemas no fundo da gaveta e do porão; até topar com o blog colaborativo do jornalista Luiz Nassif e passar a publicar e a perceber que suas rimas e versos livres — fabricados da matéria-prima de suas vivências e moldados pelos ensinamentos dos seus “poetas-preceptores” – interessavam a mais pessoas do que a ele próprio. O livro de estreia — o sintomático “Abecedário Ensimesmado” — e agora este com o título adequado a um operário-poeta: Oficina de Concertos Gerais e Poesia. Sergio Saraiva é o “oficial de plantão” — professor, consultor e palestrante – um operário do conhecimento e um poeta que constrói sua obra fundindo sentimentos no “cadinho do demônio”.







