Descrição
Conhecer Meireles é saber
que a palavra, para ele,
nunca foi ornamento.
Sempre foi forma de existir.
Em Desarrimado, isso aparece
com força, risco e beleza.
Poemas que se encaram,
se desafiam, se desdobram,
como se cada verso
soubesse do seu contrário.
Como amigo do autor, celebro
o nascimento deste livro.
Como leitor, convido:
entre. Vale a travessia.
Ler Meireles é perceber
que a palavra, às vezes,
também é ruína.
Também é forma de ruir.
Em Desarrimado, isso retorna
como vertigem, corte e avesso.
Poemas que se estranham,
se ferem, se desfazem,
como se cada verso
negasse o seu primeiro impulso.
Como amigo do autor, reconheço:
há travessias
que não devolvem ninguém
ao mesmo lugar.
Como leitor, aceito o risco
de não sair ileso.
por Pedro Brandão, educador.
Quando dizem que poesia não é pra qualquer um, eu sempre penso o contrário. É, sim, pra qualquer pessoa, aberta ou não, a sentir suas emoções ao se envolver em leituras. Pois é isso que acontece ao lermos poesia. A gente não antecipa o que vai sentir, e os poemas acessam nossas emoções arbitrariamente, mas também magicamente. Maria Bethânia, a cantora, já dizia que “poesia é o contrário da insensibilidade, da burrice e da grosseria”. Eu concordo plenamente. O leitor ou leitora de Desarrimado entende rapidamente que entrará em contato com diversas emoções, ao mesmo tempo que se delicia e se encanta com os versos de cada poema, escritos um a um com genialidade e maestria. Estejam preparados para se surpreender com as rimas, as “desrrimas”, a estética e o deleite de ler uma obra única e, por si só, deslumbrante tanto em forma quanto em conteúdo.
Por Lucila Tonelli, apaixonada por livros.






